Aprovado no concurso para professores promovido em 2023 pela Secretaria da Educação, Renan Hideki Pereira Okado, de 24 anos de idade, não é exatamente um novato na Escola Estadual Tomie Ohtake. Nascido em Toyota, no Japão, e criado no Brasil desde os 7 anos de idade, Renan foi aluno da instituição quando ainda se chamava Parque Continental Gleba I, nome do bairro onde está instalada, na cidade de Guarulhos. Nesta semana, ele esteve entre os professores homenageados pelo secretário da Educação, Renato Feder, no inédito Prêmio Professor Nota 1.000.
Ainda aluno da unidade, foi ele um dos alunos a votar pelo novo nome da escola. Em 2018, participou da escolha da artista nipo-brasileira, com a qual se identifica, como patronesse da escola: “Votei na Tomie Ohtake, entre as personalidades que concorriam. Nascido no Japão assim como ela, me senti bastante representado”, diz Renan, que acaba de ser reconhecido como um dos mil professores Nota 1.000 em premiação recém-criada pela Seduc-SP para homenagear os docentes da rede estadual que se destacam por fatores como frequência, resultados nas avaliações e desempenho dos alunos.

A mudança no nome da escola contou com votos de estudantes, professores e funcionários. Renan havia acabado de retornar ao posto de aluno, depois de uma temporada de estudo de mecatrônica no câmpus de Guarulhos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) no início do Ensino Médio. Sem se identificar com o curso, voltou para casa, onde concluiria o Ensino Médio antes de cursar licenciatura em geografia no IFSP São Paulo — matéria que hoje ensina – além de artes e cultura japonesas, em eletivas do Programa Ensino Integral (PEI).
“Entrei na escola como aluno pela primeira vez em 2013, no 6° ano, quando ainda se chamava EE Parque Continental Gleba I, popularmente conhecido como ‘Glebão’. Sempre busquei participar de todos os eventos, como jogos interclasses, olimpíadas de jogos escolares e olimpíadas de conhecimento”, afirma o professor, que foi medalhista da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) em 2015 e três anos depois, ao retornar, vice-presidente do Grêmio Estudantil.
Dar aulas na rede pública é uma consequência dessa relação construída com a escola. “A opção pelo curso de licenciatura e pela rede pública vem do meu desejo de retribuir à comunidade tudo o que o ensino público me proporcionou. Trabalhar na escola em que estudei torna tudo ainda mais gratificante.”
Uma relação que se reflete no próprio relacionamento com os alunos. Muitos já contaram a Renan que pretendem lecionar, como ele, e a maioria pensa em ensinar geografia ou artes. Renan percebe e investe nessa afinidade. “Para tornar minhas aulas mais interessantes, tento aproveitar a identificação que os estudantes têm comigo e do fato de, assim como eles, ser morador do bairro, articulando sempre que possível as aulas com o cotidiano e a realidade deles”, conta.










